Casa

Sobre ir morar na Itália

Migrar para outro país é uma decisão que envolve uma série de aspectos, mas normalmente é pensada e tomada por pessoas que vivem em condições de muita pobreza no seu país natal - exatamente como ocorreu na grande imigração italiana, a partir de 1875.


Nesse texto, vamos tentar listar alguns desses aspectos que envolvem a decisão de migrar para o exterior. Será que vale a pena?

voltar ao site

02/11/2021
08 minutos para o fim da leitura
Por Casa do Imigrante Italiano

Morar na Itália
Considerações importantes

A+ A-

Migrar para outro país é uma decisão que envolve uma série de aspectos, e depende de muitas coisas mesmo, mas normalmente é pensada e tomada por pessoas que vivem em condições de muita pobreza no seu país natal - exatamente como ocorreu na grande imigração italiana, a partir de 1875 - com a expectativa de "melhorar de vida". É algo que não se faz baseado em emoção, principalmente. É muito diferente de turismo, passeio ou visita a parentes no exterior. Diferentemente das celebridades, que migram para o estrangeiro em busca principalmente de segurança para seus filhos e para si, na ilusão do mundo ideal, intoxicadas por falsas informações, as pessoas que vivem em condições de muita pobreza no seu país natal migram em busca de melhores condições de trabalho, principalmente para sobreviverem dignamente. Portanto, o primeiro ponto a destacar é que você precisa ter "clareza", e conhecer a sua situação fática e ser realista em relação ao mundo em que vivemos. Nenhum país quer em seu território mais um "perdido" nesse mundo, que pode logo mais a frente se tornar um indigente. Portanto, se você migrar para outro país na dependência do estado ou da ajuda de outras pessoas, principalmente estranhos, as estatísticas apontam que a chance de você se frustrar é altíssima. Ora, não seja ingênuo o bastante para acreditar que pelo fato de ser descendente de italiano, pessoas estranhas, num país "estranho", vão lhe ajudar.

Direitos e cidadania

A+ A-

Definitivamente, migrar para outro país para ficar a margem de outros cidadãos, sem cidadania, sem ter condições de reclamar direitos, case precise, ou sem ter acesso a serviços públicos básicos é algo dificilmente aconselhável. Portanto, se você é descendente de italiano, por exemplo, primeiramente, antes de tudo, faça a sua cidadania italiana!

O Idioma e a cultura local

A+ A-

O idioma nativo italiano pode não ser uma barreira intransponível para você viajante, pois é relativamente fácil aprender o italiano falado, com uma curva de aprendizado "curta", diferentemente dos idiomas dos países nórdicos, como a Noruega, por exemplo. Entretanto, a cultura local e os costumes dos habitantes não se aprende falando, mas sim, no dia-a-dia, ou seja, na convivência com os habitantes locais. Então, se você é uma pessoa de "difícil convivência", ou que não consegue se adaptar facilmente a mudanças, a chance de você ficar frustrado, triste e sem amigos durante um longo tempo é grande. Se você é brasileiro, a cozinha italiana não será problema; diferentemente de quem viaja para países asiáticos onde a cozinha pode deixar você realmente com "dor de barriga" por um longo tempo.

A idade e a condição social

A+ A-

A idade com que você decide realizar uma transição dessas é outro fator de extrema importância, visto que as oportunidades que você deixar para trás no seu país natal não voltarão mais, e se você não tiver "sucesso" no país estrangeiro a chance de você inclusive entrar numa "depre" é alta, retornando ao país de origem somente anos depois, já velho. Cuidado. Não tome decisões na emoção. O melhor cenário é se você é jovem e "rico" e está em busca de segurança, e não irá depender de ninguém no país estrangeiro, tentando a sorte por conta própria. Ironicamente, o Brasil é um dos melhores países para se viver, (exceto no quesito segurança), se você é "rico", mas pode ser bem difícil, se você é bem pobre. Atenção: Se você é "pobre", as estatísticas apontam que no estrangeiro a chance de você cair na pobreza extrema é bem alta. Pelo menos aqui você tem sua família, o SUS, seus amigos e etc. Agora, se você é um profissional capacitado, fala o idioma italiano, tem cidadania italiana e parentes na Itália, a chance de se "dar bem" já melhora. Entretanto, mesmo estando você sozinho no exterior, sem parentes ou amigos, mas sendo você um trabalhador honesto, busque imediatamente um trabalho digno num local idôneo, pois as suas chances melhoram muito. Porém, cabe ressaltar que "uma atitude de trabalho" somada com uma conduta ilibada é capaz de promover o seu "sucesso" no seu país de origem. Não se iluda!

Casado ou solteiro?

A+ A-

Para "tentar a sorte" no exterior, que é uma das razões para migrar para outro país com melhores condições e oportunidades em relação aquele no qual você vive atualmente, ir casado parece não ser uma boa escolha, justamente porque as expectativas e as oportunidades para ambos podem ser bem diferentes, e a chance de frustração ou de rompimento da relação são altas. Entretanto, duas pessoas juntas se ajudam mais na dificuldade aguentando melhor as adversidades. Tudo depende da personalidade de cada um e do quanto se amam. As mulheres solterias com capital estético atraente terão chances de casar com um nativo, e os homens brasileiros, com um bom capital físico e intelectual tem boas chances de conhecer e casar com mulheres de diversos países. Isso não é um conselho!

Filhos pequenos

A+ A-

Para "tentar a sorte" no exterior, que é uma das razões para migrar para outro país com melhores condições e oportunidades em relação aquele no qual você vive atualmente, sendo você homem ou mullher, ou um casal, independente do seu tipo de composição familiar, heterosexual ou homoafetiva, por exemplo, definitivamente, essa é uma das piores decisões que você poderá tomar, ou seja, migrar para outro país levando filhos pequenos. As dificuldades triplicarão. Não é aconselhável, nem recomendável. Portanto, o ideal é "tentar a sorte" antes de tentar a maternidade, paternidade, adoção e etc. Atenção: isso não é um conselho. Isso são apenas observações.

Saúde

A+ A-

Lembre-se que no Brasil, independente do que alguns podem achar, temos o SUS, que é de graça. No país estrangeiro o acesso a saúde pode não ser tão "fácil" como é no Brasil. Portanto, se você tem algum tipo de problema de saúde, ou é depentedente de medicamentos caros, ou sofre de qualquer tipo de doença, ou ainda, já é um "adulto de meia idade", não é aconselhável migrar. Um simples torção de tornozelo pode se tornar um problema grande para o migrante sem plano de saúde, ou sem acesso a serviços públicos básicos no exterior.

Conclusão

A+ A-

Como vimos, a decisão de migrar para o exterior não é algo simples, e envolve uma série de aspectos inerentes as condições econômicas e sociais do indivíduo, como por exemplo, a idade, a classe social, a saúde, ao estado civil, a escolaridade, entre outros. Tentamos esclarecer alguns desses aspectos, lembrando que o texto não reflete uma recomendação, muito menos um conselho, sendo apenas reflexões razoáveis e responsáveis sobre o tema proposto. Participe da discussão sobre esse tema. Deixe o seu comentário, crítica ou sua posição sobre o assunto.


E aí, qual a sua posição sobre o assunto?

Deixe o seu comentário

Se você já tentou "a sorte" no exterior, contribua com sua experiência.


Curta a nossa FanPage